quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Desmerecimento do ensino superior

Há cerca de 10 anos atrás o fato de estarmos inseridos em uma universidade já nos rendia a alcunha de intelectuais. Não era difícil escutarmos alguém dizer: “somos as cabeças pensantes do país”. Isso acontecia porque acreditava-se (alguns ainda acreditam) que a perspicácia cultural do Brasil estava concentrada dentro dos centros acadêmicos. De fato há uma imensidade de intelectuais que, se não tiveram bases acadêmicas, estão na academia. Contudo, o retrato atual de nossos eruditos estão mudando: 1) Estar dentro de uma universidade não tem sido sinônimo de intelectualidade, tendo em vista que faltam pessoas dispostas a ocupar a quantidade de vagas oferecidas pelas instituições (particulares) de ensino. 2) Tem havido uma banalização do ensino superior, principalmente devido aos cursos profissionais. Sobra empolgação e falta preparo. 3) O “excesso” de vagas –não que isso seja ruim- tem facilitado a entrada de mentes pouco treinadas no 3º grau, mesmo nos núcleos federais.

Por outro lado, o baixo nível dos ingressos das UF’s não tem se restringindo apenas às graduações. Na pós-graduação (isso inclui mestrado e doutorado) há uma grande parcela de estudantes que contribui para o desmerecimento do ensino superior. Para muitos deles ainda impera a política do “ctrl+c – ctrl+v”. O que resulta em diversos trabalhos repetidos, e que vão se replicando ao longo dos anos. Mas, engana-se quem pensa que isto é coisa de alunos, ou, como dizem por aí “alunos de ontem professores de hoje”.

Entre os professores (pesquisadores) há uma competição acirrada pelo prestígio científico. Pressionados pelos grandes órgãos financiadores do país (CNPq e CAPES) eles se obrigam a olhar apenas por cima de uma linha reta, preocupando somente com suas linhas de pesquisa, objetivando publicações. Qualquer tipo de publicação, desde que faça volume nas estatísticas dos órgãos avaliadores. Impera-se a política do “Publique ou Morra”. É comum vermos doutores avessos a situação do país, da cultura, das descobertas científicas de outras áreas.

Enquanto o conhecimento era concentrado nos centros de ens. superior as informações eram mais democráticas, era perfeitamente possível estudar física quântica e estar a par dos acontecimentos em que os antropólogos estão envolvidos.

O fato é que a busca imediata por resultados tem contribuído para uma diminuição progressiva do valor do conhecimento útil, e, para uma mecanização da habilidade mental. Enfim, já não podemos relacionar instrução vasta com academia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Não era pra ser terça o seu dia?

eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você