- Antes que perguntem, respondo: sim, eu assisto novelas, apesar de não gostar muito. Digo que não gosto muito porque geralmente as histórias são muito repetitivas, iguais. Em novelas, aprecio mais os núcleos cômicos e a atuação dos grandes atores.
- Dito isso, farei uma análise, de mero expectador leigo, sobre alguns atores envolvidos nessa história, além de opiniões a respeito de Gilberto Braga e Paraíso Tropical. Se fosse escrever sobre os clichês e incoerências dessa novela, como acontece em todas, também daria um texto bem grande. Mas quero ficar somente na parte boa deste folhetim.
- Wagner Moura (Olavo): para muitos uma grande surpresa, mas para mim, que já vi vários de seus filmes, foi apenas a confirmação do seu gigantesco talento. É o melhor ator de sua geração. Deu vida a um vilão de forma magistral, dando ainda pitadas de humor, que suavizaram Olavo, fazendo com que algumas pessoas até quisessem um final feliz entre ele e Bebel. Poderia escrever muito mais sobre Wagner Moura, mas o reconhecimento do talento desse ator já caiu no lugar-comum.
- Fábio Assunção (Daniel): fazer mocinhos não chega a ser um desafio para os grandes atores. São personagens com gestos simples, sem grandes explosões de emoções. Por isso, Assunção fez o arroz com feijão, sem comprometer e também sem ser estupendo. Trabalhou o necessário, o que era possível com seu personagem. Se mocinhos não geram boas atuações isso não quer dizer que Fábio Assunção tenha culpa, muito pelo contrário, ele é um grande ator, e já provou fazendo o inesquecível Renato Mendes, de “Celebridade”.
- Tony Ramos (Antenor): na minha modesta opinião, é o melhor ator de novelas do Brasil. Ele consegue fazer qualquer personagem ser único, sair de um grego que não tinha onde cair morto, e encarnar magistralmente um magnata dos negócios. Em todas as cenas em que aparecia, Tony Ramos era quase onipresente, dava um show de interpretação. Analisar a atuação dele chega a ser um erro, pois ele sempre está ótimo.
- Alessandra Negrini (Paula e Taís): para mim, uma grata surpresa. Fez, talvez, o melhor trabalho de sua carreira. Mostrou que é uma grande atriz, que mereceu a confiança depositada por Gilberto Braga e Denis Carvalho. Deu vida as gêmeas sem cair nos arriscados estereótipos, lógico que sempre deixando claras as diferenças entre as irmãs.
- Glória Pires (Lúcia): fez a mesma coisa que Fábio Assunção, o necessário e o possível. Mesmo assim, demonstrou mais uma vez ser uma boa atriz.
- Camila Pitanga (Bebel): fez seu melhor trabalho na televisão. Aos poucos fez com que sua personagem fosse cativando o público, mesclando na medida certa cenas cômicas com pequenas, e até grandes, maldades de sua personagem. Bebel representou a sua passagem para a imortalidade.
- Poderia escrever sobre cada ator/atriz, mas seria enfadonho e atrairia ainda menos a atenção dos leitores (que leitores?). Só tenho a declarar que todos foram bem: Marcello Antony (pouco aproveitado), Marco Ricca, Daniel Dantas, Isabela Garcia, Chico Diaz (excelente), Beth Goulart, Bruno Gagliasso, Vera Holtz...
- Gilberto Braga: repetiu o sucesso de “Celebridade”. Permaneceu com as mesmas características, o dinheiro estando no centro de todas as vigarices, e todos os vilões só o são por motivos financeiros. Em “Paraíso Tropical” Gilberto Braga mais uma vez mostrou qual é a sua especialidade, e o que o diferencia de outros autores: a criação de grandes vilões, que todas às vezes ganham mais destaque e a empatia do público. No entanto, faço uma ressalva do trabalho deste autor, quanto a esta última novela. Faltou um núcleo engraçado, de periferia. O Andaraí de “Celebridade” teve maior repercussão e comicidade do que a Copacabana de “Paraíso Tropical”.
- Por último, tenho que dizer que os pontos altos de “Paraíso Tropical” foram às cenas envolvendo os grandes atores. Algumas vou demorar a esquecer, como as que tinham Wagner Moura, Fábio Assunção e Tony Ramos. Tantas foram as cenas antológicas, que fica difícil enumerá-las e comentá-las, seria material para outro texto.
- Quanto ao final da novela, fiquei satisfeito. Lógico que ficaria mais ainda se o assassino fosse uma surpresa, alguém que foi bonzinho desde o início e enganou todo mundo, inclusive os expectadores. Mas temos que entender que novela não é filme, e o público gosta mesmo é do básico, vilão é vilão e mocinho é mocinho. Ressalta-se, mais uma vez, as atuações dos atores na cena decisiva, estavam geniais. No mais, é só.
sábado, 29 de setembro de 2007
Paraíso Tropical
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Mano Brown no Roda Viva
- Tinha decidido não escrever nada sobre a entrevista do rapper Mano Brown dada ao programa Roda Viva. Primeiro por que o meu parceiro de blog tinha postado um texto no dia. Segundo porque pensei que a minha opinião seria igual a de todos os outros, portanto, o texto não teria nada de original.
- Entretanto, após ter lido alguns tópicos da comunidade dos Racionais, no Orkut, e alguns blogs que opinaram a respeito da entrevista, decidi escrever.
- Discordo completamente de tudo que li na internet sobre a entrevista. Tanto opositores quanto fãs do Mano Brown concordaram que o cantor foi mal na entrevista, que não soube se expressar e demonstrou desconhecimento em vários assuntos.
- Eu, que nunca vi uma entrevista dele, estava ansioso em vê-lo falar em um programa como o Roda Viva. E, ao contrário dos fãs, não me decepcionei com nada. Muito pelo contrário, achei o Mano Brown com idéias muito claras, uma visão de mundo pragmática e inteligente.
- O que mais me chamou a atenção foi à inteligência com extrema simplicidade e humildade.
- O cara tem um carisma surpreendente, que prende o expectador em tudo o que ele fala.
- Nos primeiros instantes da entrevista, a primeira coisa que pensei era como um programa, que já recebeu grandes entrevistados, estava recebendo uma figura de tão pouca capacidade intelectual, dada a dificuldade do entrevistado em falar corretamente.
- Depois de alguns minutos essa desconfiança quanto ao líder dos Racionais se transformou em admiração. Brown demonstrou educação, nos momentos em que foi interrompido em suas respostas, soube relativizar e ser brando quando necessário.
- Dentro de sua pouca instrução educacional (e ele confessou isso várias vezes), deu bons comentários sobre a política brasileira, Cuba, Lula, Nike, a realidade da periferia, entre outros assuntos.
- Posso ter sido o único, mas quando desliguei a televisão tive uma imagem muito mais positiva do Racionais, do movimento que ele representa, e principalmente de Mano Brown. Pode até ser uma visão afetada pela admiração que tenho pelos líderes de movimentos sociais e populares, mas é a que tive. Sinceramente. No mais é só...
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Há de se concordar
(Confúcio)
domingo, 23 de setembro de 2007
6 Notas sobre "Letra e Música"
Sabemos que o filme é passível de infinitas críticas, além do roteiro completamente previsível há uma gama muito grande de clichês hollywoodianos. Aqui descreverei apenas os motivos que poderiam fazer alguem se deslocar até uma locadora para alugar o filme.
- O filme inicia com o clipe, completamente cômico, de uma banda fictícia dos anos 80. O que de cara permite uma identificação dos espectadores que viveram essa época. Quem não se lembra dos menudos, polegar, dominô...?
- É uma comédia romântica, o que nos remete ao maior ator do gênero. Isso mesmo! Hugh Grant é o protagonista, o mesmo de "Um Lugar Chamado Notting Hill", o que já valeria o ingresso, uma vez que -sempre com muita sutileza- Grant não nos deixa uma cena sequer sem que tenhamos que dar umas boas rizadas.
- O filme traz Drew Barrymore, não que seja um exemplo de atriz, mas que também já está habituada a este tipo de filme. Ela nos mostra uma protagonista doce e meiga, sempre muito emotiva nos fazendo evidenciar sua efêmera graciosidade , assim como no "Como se fosse a primeira vez".
- Como toda comédia romântica, há sempre uma pintadinha de moral social, nesse filme acontece no momento em que o texto evidencia a necessidade de superar o fracasso, bem do gênero. Quem nunca pensou em desistir de algo após ter sido criticado?
- O filme é acompanhado do início ao fim por uma singela trilha sonora, ao som de um piano muito bem comedido. Em um momento do filme o protagonista manuseia diversos instrumentos em busca de uma melodia ideal, o que permite ao espectador se envolver de forma mais sensível aos personagens.
- Quem nunca teve uma amiga(o) com quem passava boa parte do tempo útil e depois se apaixonou? Quem nunca sentiu nostalgia ao ouvir uma canção que remete a um antigo amor? Se isso já aconteceu com você então vale a pena assistir o filme.
Portanto, esqueçam as obviedades, os clichês e não procurem momentos pretensiosos. Tenho certesa que o propósito do diretor foi entreter de forma divertida e que pudesse sensibilizar os espectadores. Sendo assim, acho que ele conseguiu.
No mais, é só...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Falta de inspiração (mas já?rs)
- Não pensem que ter blog é algo fácil. Pode até ser, se não tivermos a responsabilidade, mesmo que auto-imposta, de postar com alguma regularidade. No nosso caso, pelo menos duas publicações por semana, uma minha e outra do outro.
- Após o post sobre o ócio pré-adolescente - aquele dos dedos controladores da televisão -, do meu parceiro de Dispersão do Ofício, o próximo texto teria que ser meu. Tanto ele me cobrou que me senti na obrigação de escrever algo, mesmo sendo sobre a falta de inspiração para escrever. Ainda bem que não temos leitores, senão a pressão seria maior.
- Como escrito acima, entrego de cara que não escrevi por pura falta de motivação e inspiração. Porque, mais uma característica de blog, no início as idéias trasbordam, jorram, chegam numa velocidade assustadora, mas com o tempo elas vão se esvaindo, como os rios que vão secando no período de estiagem.
- Pensando a respeito de rios que secam, em certos períodos, lembrei-me de uma aula do cursinho, há alguns anos atrás, onde o professor de Geografia disse que o rio São Francisco era, e é, um rio perene, apesar de percorrer as zonas mais áridas do país.
- Sendo assim, tomara que esse blog se assemelhe a este rio, que as idéias e a motivação sejam perenes. Entendo bem que já começamos a “secar” com pouco tempo de vida, mas ainda temos a possibilidade de ver esse rio se tornar permanente com o tempo. É o que torcemos. Será que um rio pode ser tornar permanente com o tempo, ou se começou secando não tem jeito?
- Geógrafos de plantão, não precisam responder essa pergunta, pois já devem ter percebido que estou falando de idéias, utilizando os rios e as águas somente como metáfora. Estou sendo presunçoso em explicar algo tão óbvio?
- Além da falta de inspiração, outro motivo me faz não ter o que postar: não tenho vivido uma vida intensa de acontecimentos. Pra ser bem sincero, não tenho vivido nem uma vida nada intensa. Na última semana não sai de casa, e quando digo que não saí não é força de expressão não, é que não saí mesmo, não coloquei o pé na rua.
- Assim como não saí de casa, também não vi nenhum filme, algo que renderia pelo menos um textinho, mesmo que medíocre. Nem a tão assistida televisão rendeu algum assunto para preencher a lacuna “editorial” deste espaço.
- Para não pensarem que sou um fracassado blogueiro, digo que tive algumas idéias, que poderão render algum texto no futuro, talvez bem próximo, já que os assuntos que pensei não são perenes como o “Velho Chico”.
- No mais é isso, vamos aguardar a chuva chegar. E que ela venha carregada de força e vida.
sábado, 15 de setembro de 2007

Introduzindo a série
Consigo me recordar, como se fosse ontem, de minhas tardes ociosas em que me deitava no chão fresco da sala, esticava as pernas até os botões da TV, que estavam sobre uma estante de madeira, e fixava o olhar na programação vespertina, muitas das vezes exercitando os dedos dos pés pulando de canal em canal. Tudo era feito ao mesmo tempo em que saboreava um pacote de biscoitos com refrigerante e aguardava chegar o horário em que ia pro campo jogar futebol. Momentos como este que me fazem recordar da minha infância com imensa saudade, não que eu não possa fazer isto hoje, mas é que as obrigações de uma vida adulta estreitam os momentos de lazer frívolo.
“A nostalgia apaga as coisas ruins e aperfeiçoa as coisas boas”, assim disse Gabriel Garcia Márquez em um de seus livros. Não sei até onde podemos admitir a total veracidade desta frase, mas o fato é que em meus momentos mais saudosistas só me vem à memória as boas lembranças, sempre amplificadas com picos de alegria. O mais interessante é que minhas boas recordações, como se pode verificar no início do texto, sempre estiveram relacionadas a consideráveis momentos de ócio.
Minha vida social sempre esteve vinculada ao prazer de não fazer nada, meus melhores pensamentos, minhas maiores criações (apesar de não serem muitas, rs), minhas maiores dúvidas que produziram grandes soluções, meus melhores momentos de interações sociais, enfim meus maiores momentos de satisfação vieram de uma “inércia dinâmica”, do conhecimento aparentemente trivial. Sem o desfrute do ócio eu não estaria, por exemplo, escrevendo este texto.
Pensando nisso decidimos (eu e o outro), para dedicarmos de forma criativa nossos momentos a esmo, criar alguns textos e publicá-los (termo pomposo, né?) aqui em forma de série.
Tentando sintetizar, de forma sucinta, que nossa socialização foi bem embasada nos momentos de ausência de qualquer ofício, denominaremos a série de sÓCIOlização. No mais é só...
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
A respeito do caso Renan
- Ouvi pelo rádio a notícia da absolvição do senador Renan Calheiros como quem ouve um jogo de futebol. O locutor ficou alguns minutos gritando estridentemente “será que ele foi cassado, ou absolvido???”, “parem tudo que estão fazendo pra ouvir essa notícia!!!”. Por fim, gritou finalizando: “e foi, e foi...Absolvido!!!”.
- Depois disso, entrei na internet pra ter mais notícias. Uma amiga, da época da faculdade (até parece que faz tanto tempo, época...), estava utilizando o seu msn como protesto. Escreveu que Deus teria dado ao Brasil uma natureza maravilhosa, mas um povo burro e ignorante, que aceitava um sujeito como Renan no Senado.
- Até aquele momento, instantes depois da notícia, ainda não tinha análises sobre o acontecido. Apenas Paulo Henrique Amorim, em seu blog, escreveu algo, que eu concordo plenamente, mas não cabe aqui repetir o que ele escreveu, quem quiser que vá ao blog dele e leia.
- O Brasil ficou triste com a absolvição do Renan, incluindo a minha amiga. A chamada opinião pública, onde eu não me sinto representado, além de triste, ficou revoltada. Ainda não vi os comentários de Jabor, pelo lado da Globo, e de Mainardi, pelo lado da Veja, mas eles devem estar espumando, como se tivessem perdido uma guerra.
- Lógico que eu queria a cassação do senador alagoano. Mesmo sendo da base do governo, ele é um daqueles políticos que o Governo teve que agüentar para ter governabilidade, similar a Roberto Jéferson, Valdemar da Costa Neto, entre outros. Políticos do PMDB, PP, PTB, aliados do Governo, mas que vivem a constrangê-lo com suas práticas pouco honestas.
- Não que no PT não tenha isso, Silvio Pereira está aí pra provar. No entanto, no PT, essas práticas não são institucionalizadas, quase uma obrigação de todos os partidários.
- Com a absolvição, apesar de tudo, tive uma satisfação. A de saber que a grande mídia, conservadora e golpista (não é copiando a Marilene Felinto e nem o Paulo Henrique Amorim, é que realmente concordo com isso), não manda no Brasil e na política, como pensam. Jabor, Mainardi, Globo, Veja, Estadão e Folha perderam mais uma, da mesma forma que perderam nas duas eleições que elegeram Lula. E constatar isso é reconfortante.
- Queriam derrubar Renan não porque ele é corrupto, recebeu dinheiro de empreiteira, nada disso. Queiram derrubar o Renan por ele ser da base do governo, pra desestabilizar o governo Lula. Se fosse somente por corrupção, teriam que ficar o tempo todo derrubando um.
- E por último, o Renan pode até ser corrupto, mas tem um baita bom gosto pra escolher amantes. Vendo as fotos da Mônica Veloso na Folha, constatamos que ela é muito bonita, lógico que não ao ponto de merecer uma cassação...
- E é isso, não posso ficar escrevendo muito porque se isto acontecer ninguém vai ler. Aliás, acho que ninguém vai ler de qualquer jeito, mas faço a minha parte.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
10 notas sobre "Hannibal: A Origem do Mal"
- Não comparem com “O Silêncio dos Inocentes”, este está a anos-luz a frente.
- Não comparem com os outros filmes sobre Hannibal (Hannibal e Dragão Vermelhor), pois estes também são melhores, até porque contam com a interpretação impecável e marcante de Antonin Hopkins - além das ótimas participações de Juliane Moore, Edward Norton e Ralph Fienes.
- Como um filme avulso, sem comparações, não chega a ser um filme ruim.
- O cenário é bonito, me agrada, o clima sombrio, a neve, as paisagens típicas européias. E isso, o contexto material, já representa muitos pontos positivos.
- Não vou escrever sobre a interpretação do jovem ator, não sei avaliar isso em atores estrangeiros, falando outra língua. Os críticos avaliaram bem mal o seu trabalho. Mas, repito, por mais que a sua atuação não comprometa, é impossível se equivaler a figura mitológica do personagem e ao trabalho de Hopkins.
- Há uma cena, engraçada pra mim, onde o ator quer dar uma de Antonin Hopkins: quando é interrogado pelo investigador, e este lhe mostra um papel, ele olha o nada, dá uma piscada característica de Lecter e finalmente lê o que está escrito, num movimento de olho pra baixo; uma escancarada imitação, que pode ser legítima ou não, do momento onde Lecter “Hopkins” lê a credencial de Clarice Starling, só faltou o “closer”.
- A beleza da tia/amante é de se ressaltar, os realizadores do filme escolheram bem a atriz.
- Em “A Origem do Mal”, fica claro o respeito que Lecter sente pelas mulheres. Por causa de uma grosseria contra a bela tia oriental, acabou matando um açougueiro. Mas tarde, repetiria a vingança contra Miggs, o colega de prisão que insultou Clarice.
- O filme comete um pecado que é inaceitável para filmes deste gênero: falta suspense e mistério. Após a morte da irmã, o ódio pelos assassinos, e a descoberta destes, resta ao expectador acompanhar Lecter em sua caçada. O único mistério seria como ele iria matar os algozes de sua irmã.
- Enfim, resta concluir que o filme fica aquém de todos os outros sobre Hannibal, mas não chega a ser um filme tão ruim quanto apregoam. Sei que os fãs das histórias do canibal Lecter esperavam algo melhor, mas não vamos esperar um outro “O Silêncio dos Inocentes”, sob pena de nos decepcionarmos muito.
8 notas sobre "A Rainha"
- Considero “A Rainha” quase um documentário, algo meio jornalístico. Aliás, pra quem se interessa pelos assuntos da mídia, esse é um ótimo filme.
- Quando terminei de assistir, fiz uma relação com o documentário “Entreatos”, de João Moreira Salles, a respeito da campanha de Lula em 2002 para a presidência. Nos dois filmes parecemos estar “participando” dos assuntos abordados, vendo como são tomadas as grandes decisões que irão influenciar uma multidão.
- Vemos nesse filme os chamados bastidores da notícia. Como estamos acostumados a somente ver as decisões já tomadas e anunciadas, o fato pronto, gostamos de ver o processo de construção desses fatos, as discussões, opiniões contrárias.
- Uma surpresa para mim e talvez para a maioria das pessoas: a Rainha é muito respeitada, e seus conselhos e pedidos valem muito, sobretudo quanto ao destino da nação britânica. Nós aqui do longínquo Brasil temos a impressão que a monarca só serve pra enfeitar (e não pagar impostos), que a figura determinante é o primeiro-ministro, que ele está acima da monarquia. Um exemplo disso: quando queremos dizer que alguém só manda aparentemente, dizemos que ele se parece com a rainha da Inglaterra.
- Vemos o contrário no filme. Nele, o primeiro-ministro, recém empossado, Tony Blair, tem claramente uma posição de subordinação para com a Rainha. Aliás, a sua posse, para ser legitimada, teve que ter a benção da rainha, com “direito” a ficar de joelhos perante ela. Quando Blair ligava para o palácio, era ele que tinha que ficar esperando a boa vontade de Elizabeth. E ela, atendendo-o, tinha por hábito mostrar a sua posição de superioridade, por vezes até desligando o telefone na cara do primeiro-ministro.
- Tony Blair, além de parecer se sujeitar a Elizabeth, tem os seus afazeres como chefe de governo mostrados como o de qualquer serviço de qualquer pessoa. As formalidades que cercam a monarquia inglesa passam longe do escritório e da casa do primeiro-ministro.
- A casa de Blair, então, nada mais prosaica: enquanto toma as decisões mais importantes a respeito do funeral de Diana, está vestido em um calção e uma camiseta, em frente aos filhos e a mulher, que tomam café da manhã como qualquer família de classe-média em qualquer canto do mundo.
- Por fim, só tenho a acrescentar que o filme é uma grata surpresa. Nele temos muitas surpresas e revelações. Mesmo se tratando de um cenário puramente inglês, “A Rainha” serve também para entendermos um pouco mais sobre o poder dos governantes, em qualquer parte do mundo.
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Dispersar (v.t.d. e p.) - Fazer ir, ou ir(-se) para diferentes partes; dissolver(-se), espalhar(-se).
Dispersão (sf.) - Ato ou efeito de dispersar(-se).
Ofício (sm.) - 1. Trabalho, ocupação, função mister. 2. Incumbência, missão. 3. Cargo público ou oficial.
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