- Briga de gente grande, a travada entre Caetano Veloso e os críticos de música dos jornais Folha de S.Paulo e Estadão. Veloso, em seu blog (www.obraemprogresso.com.br), esculhambou os dois jornalistas, especialmente os textos, tidos como mal escritos, ausentes de coerências, com erros de português, redundâncias, e aí vai. Por fim, afirmou: fiquei com pena desses fanfarrões que não sabem nem escrever, como um editor deixa um negócio desses passar?
- Não vou entrar no mérito da questão, por pura falta de conhecimentos musicais, juntando a isso minha falta de conhecimentos sobre como reconhecer uma boa crítica, seja lá qual for. Não tenho nem 10% da erudição de Caetano, nem 20% da leitura e apuro técnico dos jornalistas. Mas, acredito que, no fundo, todos cometeram excessos. O show Caetano/Roberto cantando Tom Jobim não deve ter sido tão enfadonho, cheirando a naftalina, sem emoção e surpresas, como escreveram. E, se os escritos dos colunistas são tão ruins como disse o cantor baiano, como foram parar em dois dos maiores jornais do país?
- Esse imbróglio só me deixa claro o quanto estou aquém desses personagens. Para ser um bom polemista, os argumentos tem que ser certeiros, buscando a humilhação do adversário usando recursos ultra-eruditos. Quem conhece um pouco a história dos grandes polemistas do inicio do século sabe bem isso. Sem perspicácia, sensibilidade e inteligência, além de acúmulo de conhecimentos, não se faz uma boa luta, onde as letras são as únicas armas.
- Eu, na minha simples ignorância, não ousaria falar mal do Caetano nos jornais. O jornalista do Estadão que fez isso devia estar preparado para a resposta, e já pronto para uma contra-ofensiva. Se um artista do quilate de Caetano viesse ofender o meu trabalho publicamente, acho que simplesmente pediria desculpas e me colocaria no meu lugar. Buscar uma briga, no meu caso, só resultaria em mais humilhação. Não teria argumentos nenhum para defender o meu pobre texto.
- Por fim duas perguntas, que acho ajudam a esclarecer os fatos: Porque o crítico, de qualquer área, acha que “criticar” é falar mal, procurar erros nos trabalhos dos outros? Será que se os jornalistas/críticos tivessem elogiado o show, Caetano Veloso teria escrito, mesmo assim, que os textos dos dois são uma porcaria?
- Vou parando por aqui, vai que algum intelectual dá uma lida nessas sucessões de palavras e não concorda, buscando travar comigo uma discussão estética de alto nível. Não busco a desmoralização. Vai que alguém descobre que o rei está nu?
sábado, 30 de agosto de 2008
Dispersões do dia: Caetano e os jornalistas
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Dispersões do dia
- O Real Madri sacaneou com o Robinho. Se o time madrileno já não o considera essencial, porque não libera-lo para jogar no Chelsea? Serão mais dois anos dele no Real e nada daquele futebol esplendoroso que ele apresentou no Santos campeão brasileiro de 2004.
- Dorival Jr, do Curitiba, e Nei Franco, do Botafogo, estão mostrando muita competência desde que emergiram para o primeiro time de treinadores de futebol. São os melhores do chamado “segundo escalão”, que inclui também Cuca, Renato Gaúcho, Celso Roth, Tite, Caio Júnior, Mano Menezes, entre outros.
- Dorival Júnior fez boas campanhas no São Caetano (vice-campeão paulista de 2007), Cruzeiro (levando o time mineiro para a libertadores desse ano), Curitiba (campeão estadual 2008), e agora no mesmo time paranaense, no campeonato brasileiro.
- Nei Franco ganhou o mineiro pelo Ipatinga, a Copa do Brasil pelo Flamengo, vice-campeão paranaense pelo Atlético, e nesse brasileiro está levando o Botafogo a uma campanha admirável, para um elenco tão limitado. Trabalha ao melhor estilo Luxemburgo, colocando o time para frente, buscando a vitória. Com ele não tem retranca.
- Hoje tem Vila e CRB, em Alagoas. O time alagoano amarga a lanterna, mas se o Tigrão entrar achando que é mole levar a vitória, já era. A instabilidade é o principal problema do Vila, de modo que não seria nada estranho uma derrota na terra do Collor.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Dispersões do dia
- Contagem regressiva para a estréia de “Ensaio Sobre a Cegueira”, adaptação da obra de José Saramago para o cinema, feita pelo talentoso e humilde diretor Fernando Meirelles.
- Vai ser a união, do meu diretor de cinema favorito, com atores que acho sensacionais: Juliane Moore e Gael Garcia Bernal. Também espero muito de Marc Ruffalo e Alice Braga.
- Sai amanhã o dvd do último show do Los Hermanos, na Fundição Progresso, Rio de Janeiro. Combinação aparentemente improvável da banda carioca com o diretor de cinema Nilson Primitivo.
- Primitivo parece ser mais radical e, por vezes, agressivo em sua arte. Usa uma linguagem feita para chocar, trabalha com grupos mais marginalizados, como o do hip hop, e tem um discurso muito forte de oposição a ordem vigente, demonstrável até em seus gestos e entonação de voz.
- Já os barbudos cariocas tem aquele jeitão de hippie de boutique. Sempre mansos, brandos, sensíveis, usando o típico exemplo do bom moço, aqueles genros que toda sogra queria ter. Incapazes de uma ofensa mais explícita, usam a fina ironia para se defender dos críticos mais espalhafatosos.
- É conferir o dvd e o cd para ver no que deu essa junção de personalidades tão diferentes. Aparentemente diferentes, que fique bem claro.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Vagas impressões sobre a Olimpíada de Pequim
- Maurren Maggi teve uma postura de campeã, ao receber a medalha de ouro em Pequim: em nenhum momento quis relembrar o passado, culpar alguém pelo erro do dopping, ou provar nada a quem quer que fosse.
- Já as meninas do vôlei...Tudo bem que mereciam, como ninguém, ganhar a medalha máxima, pelo tanto que foram acusadas de amarelonas. Mas, não precisavam fazer sinais de “calem a boca” para os críticos. Soou arrogante e revanchista.
- O Brasil inteiro estava torcendo por elas, sofrendo com a possibilidade de mais uma derrota a um passo do triunfo. Não acredito que elas tiveram inimigos dentro do próprio país, que explicasse essa “resposta”.
- Os caras do vôlei trouxeram uma merecida e honrada prata. Como dizem, não se pode ganhar sempre, né? Agora só falta colocarem a culpa no Bernardinho, por não ter levado o rebelde levantador Ricardinho. Aí já seria covardia demais.
- A seleção brasileira do Dunga foi o que todo mundo já esperava: fraco. Eu até imaginava que o ex-capitão do tetra seria capaz de dar raça aos boleiros endinheirados. Me enganei. O Luxa vem aí. Mas ele também não perdeu uma olimpíada, sendo desclassificado por Camarões? Deixe ele no Palmeiras, Ricardo Teixeira, os palestrinos agradecem.
- O nadador americano Michael Phelps foi óbvio demais. Toda vez que entrou na piscina levou um ouro. Ao contrário do que muitos pensam, acho isso de ganhar muitas medalhas meio chato, o bom é a competição acirrada, a surpresa. Ser favorito e ganhar tudo tira um pouco o brilho da competição. Quem sabe se o cara fosse brasileiro eu pensaria diferente.
- A medalha de ouro do César Cielo não teve tanta beleza quanto as outras duas. Penso que o fato dele ter se preparado nos Estados Unidos, financiado pelo pai, tirou aquele ar de superação, heroísmo, presente nas outras conquistas brasileiras.
- Depois de tantas frustrações, de um desempenho ruim, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nusman, ainda veio dizer que foi a melhor olimpíada de todas feita pelo Brasil. Dizer o que depois dessa?
- Desempenho bom de um brasileiro foi o de Felipe Andreolli, do CQC. Estava bem engraçado e bem antenado com os temas esportivos. Ponto mais que positivo quando não fez piadinhas com os derrotados brasileiros. Postura decente, daqueles que se negam a humilhar os outros para fazer seu público rir.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Nada com nada
"...assim como há sins que não são sins mas nãos, há também nãos que não são nãos mas sins, de modo que tudo, não e sim, é na verdade talvez ou depende."
(Ira - José R. Torero)
Pode?!
Lembre-se de uma citação, a mais mnemônica. Sempre tem um tanto de enrolação, aquelas frases "bêbadas" que são ditas para incrementar, pra parecer algo profundo, surreal...
Arg! Coisa de intelectualóide?!
(Ira - José R. Torero)
Pode?!
Lembre-se de uma citação, a mais mnemônica. Sempre tem um tanto de enrolação, aquelas frases "bêbadas" que são ditas para incrementar, pra parecer algo profundo, surreal...
Arg! Coisa de intelectualóide?!
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Namorisco
“Estou com saudades. Vou escrever ‘saudades’ em um tijolo e atirá-lo em sua cabeça para que perceba o quanto estou sentido falta de você.”
O texto acima não se trata de um trecho do desenho Comichão e o Coçadinha (dos simpsons). Esta foi a maneira original (Ô, original demais!) que um rapaz achou de demonstrar a uma garota o quanto ele sentia saudades dela (óbvio). Detalhe: ele não conhecia a garota, e, a mensagem foi na verdade um torpedo enviado para o celular da desejada.
Imagine a reação da moça ao receber a mensagem... (pausa para imaginar)
No mínimo, ela deve ter pensado que tinha conquistado (sem saber) o Mohammed ou algum dos Irmãos Cravinho.
Eu, na pele dela, teria ido direto à delegacia registrar um BO.
Ainda mais porque se tratava de um torpedo recebido em Goiânia.
Mas, confesso, não fiquei surpreso. Uma vez, dispersando pelo Orkut, me deparei com a seguinte frase: “aii se eu pego!”. Se tratava de um comentário de um garoto analisando a foto de uma colega. Depois de perguntada, ela respondeu que era um rapaz que estava gostando dela. Pode isso?! Isso porque ele queria uma relação séria. Imagine o que ele diria se não quisesse!
Não é difícil passear pelas boates da vida e ver os caras puxando o cabelo das menininhas e dizendo “êeee gatinha”. Será que não percebem que, provavelmente, ela ficou 45 minutos em frente ao espelho pra deixar o cabelo daquele jeito?
O problema desses caras é que eles não pensam nas garotas ao abordá-las e sim nos amigos que estão observando como eles agem.
O pior é que uma porção dessas meninas gosta.
E eu com minha solicitude, esforço quase desnecessário...
Mas, voltando às abordagens, tirando as insanidades dos apaixonados, é de matar de rir a falta de senso do “homem padrão” para descolar um namorisco.
Findo com uma frase, comentário feito a uma foto no Orkut: “gata você me estraga a minha cabeça”
No mais... é só.
O texto acima não se trata de um trecho do desenho Comichão e o Coçadinha (dos simpsons). Esta foi a maneira original (Ô, original demais!) que um rapaz achou de demonstrar a uma garota o quanto ele sentia saudades dela (óbvio). Detalhe: ele não conhecia a garota, e, a mensagem foi na verdade um torpedo enviado para o celular da desejada.
Imagine a reação da moça ao receber a mensagem... (pausa para imaginar)
No mínimo, ela deve ter pensado que tinha conquistado (sem saber) o Mohammed ou algum dos Irmãos Cravinho.
Eu, na pele dela, teria ido direto à delegacia registrar um BO.
Ainda mais porque se tratava de um torpedo recebido em Goiânia.
Mas, confesso, não fiquei surpreso. Uma vez, dispersando pelo Orkut, me deparei com a seguinte frase: “aii se eu pego!”. Se tratava de um comentário de um garoto analisando a foto de uma colega. Depois de perguntada, ela respondeu que era um rapaz que estava gostando dela. Pode isso?! Isso porque ele queria uma relação séria. Imagine o que ele diria se não quisesse!
Não é difícil passear pelas boates da vida e ver os caras puxando o cabelo das menininhas e dizendo “êeee gatinha”. Será que não percebem que, provavelmente, ela ficou 45 minutos em frente ao espelho pra deixar o cabelo daquele jeito?
O problema desses caras é que eles não pensam nas garotas ao abordá-las e sim nos amigos que estão observando como eles agem.
O pior é que uma porção dessas meninas gosta.
E eu com minha solicitude, esforço quase desnecessário...
Mas, voltando às abordagens, tirando as insanidades dos apaixonados, é de matar de rir a falta de senso do “homem padrão” para descolar um namorisco.
Findo com uma frase, comentário feito a uma foto no Orkut: “gata você me estraga a minha cabeça”
No mais... é só.
sábado, 2 de agosto de 2008
A resistência do repórter
• Em entrevista a revista Trip de julho, Caco Barcellos esbanjou serenidade e demonstrou porque é o melhor repórter da televisão brasileira.
• Vindo de família pobre de Porto Alegre, teve muitas dificuldades em estudar e seguir a sua missão jornalística. Cansou de “correr da polícia”, prática rotineiramente executada por jovens de periferia.
• Nos locais mais pobres isso é quase uma regra. Seja bandido ou não, o mais prudente é manter distância da força repressiva do Estado, esta quase sempre propensa a exigir dos menos favorecidos mais explicações que o necessário.
• Por ter vindo de baixo, Caco preferiu reportar as angústias e esperanças das pessoas esquecidas pelo poder. Infelizmente, no Brasil, a maioria da população se concentra nesse perfil.
• A reportagem encontrou nesse gaúcho um porto-seguro. Convidado a ser apresentador, preferiu a rua e as suas histórias. Geralmente, jornalistas não recusam tal proposta, por achar que fazer reportagens nas ruas, pegar sol e chuva, é coisa de principiante na profissão, ofício de “foca”.
• Nos tempos de velocidade da informação, notícias novas a cada segundo, raro são os profissionais dispostos a passar meses e até anos em uma só reportagem. Por isso, as idéias de Caco Barcellos e o seu “Profissão Repórter” trouxeram um novo alento ao jornalismo brasileiro.
• Além dele, vejo alguns “velhos” jornalistas lutando para não verem essa prática da grande reportagem morrer. Ricardo Kotscho, ótimo profissional, com um texto agradável e inteligente, é um deles. Na época do extinto site “No Mínimo”, dedicou alguns textos em defesa da mais nobre tarefa do jornalista narrador.
• O ato de reportar trás o que há de mais prazeroso no jornalismo: a possibilidade de contar histórias, abordar diversos pontos de vista. Com calma e vigor, paradoxalmente. Ler ou assistir a uma boa reportagem abre janelas interessantes para a compreensão, além de trazer uma sensação de proximidade com o acontecimento bem maior que a simples notícia e subseqüente, quando há, crítica.
• Na reportagem pura e simples, a crítica é feita pelo telespectador/leitor, cabendo ao repórter a essencial obrigação de contar todos os lados possíveis de um fato.
• Talvez esses dois jornalistas, símbolos de resistência, sirvam de exemplo para os futuros profissionais de imprensa. Voltar um pouco ao passado seria bom, admirar grandes repórteres das gerações passadas, dar maior valor ao texto e as narrativas das pessoas, que em última instância trazem muito de sentimento coletivo.
• Deparar-se com uma infinidade de informações em pouco tempo nos trás a errônea impressão de saber muita coisa. Entretanto, esse contato raso com as notícias não deixa espaço para o aprofundamento. E é na necessidade de superar isso que entra o papel determinante do repórter.
• Vindo de família pobre de Porto Alegre, teve muitas dificuldades em estudar e seguir a sua missão jornalística. Cansou de “correr da polícia”, prática rotineiramente executada por jovens de periferia.
• Nos locais mais pobres isso é quase uma regra. Seja bandido ou não, o mais prudente é manter distância da força repressiva do Estado, esta quase sempre propensa a exigir dos menos favorecidos mais explicações que o necessário.
• Por ter vindo de baixo, Caco preferiu reportar as angústias e esperanças das pessoas esquecidas pelo poder. Infelizmente, no Brasil, a maioria da população se concentra nesse perfil.
• A reportagem encontrou nesse gaúcho um porto-seguro. Convidado a ser apresentador, preferiu a rua e as suas histórias. Geralmente, jornalistas não recusam tal proposta, por achar que fazer reportagens nas ruas, pegar sol e chuva, é coisa de principiante na profissão, ofício de “foca”.
• Nos tempos de velocidade da informação, notícias novas a cada segundo, raro são os profissionais dispostos a passar meses e até anos em uma só reportagem. Por isso, as idéias de Caco Barcellos e o seu “Profissão Repórter” trouxeram um novo alento ao jornalismo brasileiro.
• Além dele, vejo alguns “velhos” jornalistas lutando para não verem essa prática da grande reportagem morrer. Ricardo Kotscho, ótimo profissional, com um texto agradável e inteligente, é um deles. Na época do extinto site “No Mínimo”, dedicou alguns textos em defesa da mais nobre tarefa do jornalista narrador.
• O ato de reportar trás o que há de mais prazeroso no jornalismo: a possibilidade de contar histórias, abordar diversos pontos de vista. Com calma e vigor, paradoxalmente. Ler ou assistir a uma boa reportagem abre janelas interessantes para a compreensão, além de trazer uma sensação de proximidade com o acontecimento bem maior que a simples notícia e subseqüente, quando há, crítica.
• Na reportagem pura e simples, a crítica é feita pelo telespectador/leitor, cabendo ao repórter a essencial obrigação de contar todos os lados possíveis de um fato.
• Talvez esses dois jornalistas, símbolos de resistência, sirvam de exemplo para os futuros profissionais de imprensa. Voltar um pouco ao passado seria bom, admirar grandes repórteres das gerações passadas, dar maior valor ao texto e as narrativas das pessoas, que em última instância trazem muito de sentimento coletivo.
• Deparar-se com uma infinidade de informações em pouco tempo nos trás a errônea impressão de saber muita coisa. Entretanto, esse contato raso com as notícias não deixa espaço para o aprofundamento. E é na necessidade de superar isso que entra o papel determinante do repórter.
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