O Cheiro do Ralo: Filme bem louco, não espere entender todas as nuances, e não procure o significado das ações dos personagens. Em compensação, ria das criativas frases colocadas aqui e ali, e que carregam amplos sentidos. Selton Mello nos agracia com uma atuação estupenda, digna de um dos melhores atores brasileiros de cinema. Ele pertence aquela safra de astros que dispensa apresentações, e que por si só já valem o filme. Ponto alto: a atuação de Selton e os diálogos bem surreais. Ponto baixo: a difícil compreensão do enredo (mesmo sabendo que nem tudo deve ser entendido).
Cinema, Aspirinas e Urubus: Palmas para João Miguel, que já entrou para a lista dos meus atores favoritos. Cinema, Aspirinas e Urubus é um daqueles filmes meio paradões, onde quase nada acontece durante todo o seu tempo de exibição. No entanto, nos dá algo mais proveitoso: uma bela fotografia, atuação impecável dos atores, e diálogos interessantes e por vezes emocionantes. O sertão brasileiro, com todas as suas simbologias, possibilita a entrada do espectador na essência do ser humano, deixando claro que a frase de Guimarães Rosa está certíssima: “o sertão está em todo lugar”. Ponto alto: a fotografia e a atuação dos atores principais. Ponto baixo: não encontrei.
Batismo de Sangue: desses filmes, considero o que está mais aquém. E deveria ser o oposto, pois retrata o período que mais me interessa, o da luta armada nas décadas de 1960 e 1970 no Brasil. Já li muito sobre a participação dos frades dominicanos na militância de esquerda, e principalmente no auxílio da ALN de Carlos Maringuela. Talvez por isso o filme me pareceu por demais didático, servindo somente para ilustrar fatos já conhecidos pela leitura. Para quem não conhece bem a história tratada no longa, pode ser mais proveitoso e agradável. Ponto alto: Caio Blat e Daniel de Oliveira, como Frei Tito e Frei Beto, respectivamente. Ponto baixo: o didatismo, mas essa é uma opinião bem pessoal, já explicada acima.
Ó Pai Ó: acima de tudo, divertidíssimo. A combinação Lázaro Ramos e Wagner Moura parece perfeita e a prova de qualquer fracasso. Wagner, com uma atuação exagerada em um primeiro momento, rouba a cena, deixando as melhores partes do filme. Lázaro tem um talento extraordinário, protagonizando o longa com talento e eficácia. Mas, ao contrário do que parece, os dois atores tarimbados não carregam o filme nas costas. O bando de teatro Olodum cedeu alguns grandes atores, que não fazem feio frente aos outros mais conhecidos. Érico Brás, representando o mulherengo Reginaldo, é responsável por momentos impagáveis de humor e desenvoltura. No fim das contas, a bagunça de Ó Pai Ó nos trás o espírito baiano, com um realismo pouco experimentado no cinema brasileiro. Ponto alto: os atores, tanto os conhecidos quanto os outros. Ponto baixo: o excesso de músicas, tornando o filme quase em um musical (mas nada que comprometa demais, afinal, a característica principal dos baiano é a sua musicalidade).