quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Os macacos da UFG

Estava no shopping quando meu telefone tocou, era a aspirante/estudante de pós-doc me ligando para avisar que a faculdade estava na penumbra. Não havia uma correntezinha elétrica sequer no instituto de física. O que dá para se fazer em uma universidade sem energia? Ainda mais neste instituto, em que muitos vão lá pra usufruir da rapidez da internet. Jogar truco talvez, sinuca, xadrez... Como ainda não estudo no escuro e nem tenho aptidão pra nenhum desses jogos, decidi ir do shopping para casa.

– Não há nada para se fazer aí então – disse ao telefone.
– Então ta, né? – ela respondeu já conformada com a viagem perdida.

Situação corriqueira? Quedas de energia acontecem em todo lugar a todo momento. Hmm... O caso da UFG não se trata de uma desventura casual, e, sim de uma tramóia, provavelmente de uma comunidade que vive há muitos anos no campus, suspeito. Explico:
Quando cheguei na universidade, há 7 anos, eles já dominavam os caminhos de paralelepípedos entre os prédios, aterrorizando os calouros. A federal de Goiás era infestada de macacos (do tipo prego) que se organizavam aos bandos, tudo muito sincronizado: havia os operários, que se incumbia de ir para o corpo-a-corpo com os alunos, fazer o terror, saquear os laboratórios e despistar as atenções; havia os estrategistas, que planejavam os golpes às lanchonetes e cantinas; por fim, havia os líderes, geralmente de tamanho avantajado e músculos visíveis - quando comparados aos demais – que (obviamente) mandavam. Toda essa organização era evidente. Assim que um operário surrupiava um sustento os líderes (avantajados!) se encarregavam de se apoderarem de tudo por meio de safanões. Não era difícil ver macacos assistindo aulas, fazendo cálculos e operando aparelhos escondidos, enquanto aguardavam uma oportunidade de ação. Por mais que houvesse quem não concordasse com a socialização dos bichos não havia como evitar o trânsito deles nos prédios, tudo porque eles tinham o aval dos biólogos. “Se você quiser bater em um pesquisador bata, mas não encoste um dedo em um macaco que você corre o risco de ir preso”, assim comentavam os estudantes de biologia quando tocávamos no assunto.
Não bastasse a proteção que eles tinham do pessoal do ICB, apareceram os entusiasmados, que iam para o bosque para jogar petiscos e mostrá-los para os filhos (geralmente crianças pequenas). Tudo que pudesse mastigar era arremessado em direção aos bichos, salgadinhos, pipocas, refrigerantes, churrascos, sanduíches, qualquer alimento era bem vindo e bem aceito por eles. Quando alguém, mais consciente, oferecia uma maçã ou uma banana a um dos macaquinhos eles gesticulavam nervosos como se dissessem “cadê o cheetos com coca-cola?!”.
A idéia de proteger os primatas era até válida, mas com a quantidade de aulas que eles eram submetidos certamente haveria uma evolução nos seus comportamentos, e mesmo os biólogos poderiam não ter o controle de tantos bichos. E aconteceu, não demorou muito e o caos se fez. Os mesmos que zelavam pelo bem estar dos animais propuseram a reintegração deles à floresta. Vários cartazes com macaquinhos desenhados e com dizeres do tipo “se você é meu amigo não me alimente, me ajude voltar para casa” foi espalhado pelo campus. Estava proibido bajular os pregos, e, principalmente jogar petiscos. Uma semana depois da retaliação os macacos enlouqueceram, passaram até a organizar motins, chegaram a destelhar parte do restaurante na intenção de abrir uma passagem até a cozinha. Estavam acostumados a receber comida na boca, não tinham condições de procurar comida no mato, e nem queriam isso. A abstinência dos alimentos industrializados tinha efeitos danosos nos mais selvagens e fazia com que os mais habituados ao ambiente acadêmico pusessem em prática tudo que aprenderam durante anos na universidade.

– O que aconteceu com a energia? – perguntei antes de desligar o telefone –
– Não sei ao certo, mas parece que os macacos foram os responsáveis, um deles caiu em cima do transformador de energia.

Isso pra mim bastou. A queda de energia não foi um imbróglio do destino e sim uma armação da colônia de animais do campus (digna do “Pink e o Cérebro”), em que tudo foi orquestrado pelos lideres e planejado pelos estrategistas. O macaco kamikaze, que cometeu suicídio se atirando no transformador, era um do tipo operário.
Tudo resultou em dois dias sem aulas, sem trabalho, sem experimentos...



No mais, é só...

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito obrigada por ter visitado meu blog! Você percebeu certo, hehehe: não somente toques de opiniões, meu blog é informativo E opinativo. Nele procuro tecer críticas centradas na imprensa brasileira, mas, como no post que você comentou, outros assuntos também ganham atenção... Que bom que gostou, espero que se torne visitante assíduo!

Me identifiquei profundamente com seu post: aqui na UFBA, os gatos é que mandam. Não tanto na Facom, mas nos institutos de Letras e Biologia, só falta estátua endeusando-os. Com seu jeitinho meigo e discreto, os representantes da Sociedade Felina Organizada (SOFEO) da UFBA disputam o poder nos campi. Com garras, miados e dentes.

eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você