Faltou ar quando foi anunciado a queda do Corinthians para segunda divisão. Podia ter acontecido com qualquer clube, mas não com este.
O corintiano é repleto de orgulho, orgulho próprio, orgulho de ser fiel, orgulho dos títulos, orgulho de ser o “primeiro” campeão mundial e, principalmente, orgulho de ser corintiano. Assim, foi árduo aceitar a idéia de ver nosso time de vida passar um ano sem freqüentar a elite do futebol brasileiro. Mas não é à toa que a torcida não cansa de dizer “ser campeão não é fundamental, fundamental é ser corintiano” (Ufa!, senti um arrepio agora). Essa é a frase que resume o nosso sentimento de torcedor.
Este blog apresentou (no último post) um exemplo de como e por que escolhemos um time de futebol. Vou ser incisivo agora. Nós não escolhemos o Corinthians, nós somos escolhidos. É o que Darwin chamava de seleção natural. Isso tudo porque não basta ser torcedor, é preciso sentir arrepio ao ver a torcida gritar, se sentir íntimo de alguém que esteja com a camiseta do Corinthians, é preciso acima de tudo sofrer e ter a sensação de que é um sofrimento passageiro que antecede qualquer grande conquista.
O sofrimento do corintiano não é o mesmo do dicionário, não é algo que nos incomoda, é O SOFRIMENTO. Sofremos (em 1ª pessoa) 23 anos sem títulos e mesmo assim a torcida aumentou. Não importa a dificuldade, o corintiano persevera. Daí você pergunta: Como isso pôde acontecer?! Eu respondo – isso é fisiológico, movimentos involuntários, subconsciente, o ID...
Percebi que o sábado último era um dia diferente, as sensações eram bem mais evidentes. Presságio de corintiano. Havia uma semana que estava sendo anunciado o vôo da fênix, o regresso do timão a série A. Eram apenas hipóteses, não dependia unicamente de uma vitória corintiana, era necessário ainda que o Barueri (4º colocado) perdesse o jogo para o Paraná (13º colocado). Situação difícil para um torcedor comum, mas para nós tudo estava certo, 25/10/08 era o dia da redenção.
O jogo? Nem me lembro como foi. Agora a festa foi uma das coisas que mais me emocionou nesses vinte e poucos anos de fiel torcedor. Isso não consigo explicar. Na verdade as sensações surgem espontaneamente, como uma torrente de sentimentos, calafrios, frios no estômago, suor excessivo...
Certo dia uma amiga me perguntou o que eu havia sentido no dia, respondi com todos os detalhes, sem esquecer um ponto sequer. Ela ficou surpresa e murmurou “Por que você não é assim com as pessoas?”. Hmm... Acho que a resposta está no murmúrio, minha sensibilidade deve estar toda direcionada para o timão, não sobrando nada para as pessoas, menos ainda para os não corintianos. Por isso não canso de cantar, ô, ô, ô, o Coringão voltou, o Coringão voltou, o Coringão voltoooooou, ô, ô, ô, o...
Parabéns Corinthians!
No mais é só...
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