Estava rolando o ano da graça de 1992. No alto dos meus dez anos de idade, tinha uma grande preocupação. Estava precisando tomar uma decisão, uma das mais importantes da minha vida, a que iria me influenciar por todo o resto dela: escolher um time de futebol. Quando digo escolher, não é de todo verdade. Já tinha um, o Vila Nova, mas pela pouca (ou nenhuma?) expressão nacional do time colorado, havia a necessidade de ter um outro, com força nacional, capaz de fazer frente aos demais times do país.
Meu pai, vascaíno, até quis me influenciar. Me comprou uma camisa do Vasco da Gama, preta com uma listra branca. Junto dele, comecei a acompanhar os jogos do campeonato carioca, pelo seu radinho Motor-rádio, sintonizador de alta qualidade da Rádio Globo, que tinha no comando das jornadas esportivas o “Garotinho” José Carlos Araújo.
Uma ótima geração de craques vascaínos chegou aos meus ouvidos iniciantes no entendimento de futebol: Bebeto, Sorato, Washington, Willian, Acácio, Jorge Luiz, entre tantos outros. Meus tios, flamenguistas fervorosos, queriam por que queriam tirar de mim essa sina de torcer pelo inimigo. Por fim, resolvi fugir dessa intriga, e para isso nada melhor do que escolher um time neutro, um paulista. Os clubes de São Paulo começaram a década de 1990 angariando torcedores do Brasil inteiro, que passaram a considerar o futebol carioca bagunçado e decadente.
Acompanhando um jogo pela tv, senti meu coração mostrar o caminho. Nos ataques do outro time ele batia com força, pulsando, demonstrando medo. A equipe atacada era o Palmeiras, ainda decadente naquele período, passando por um jejum de títulos de dezessete anos. Para um torcedor em fase de escolha, aquele seria um time pouco atraente, já que nem se fazia idéia da parceria com a empresa italiana Parmalat.
Mas a escolha tinha sido feita. Afinal, coração de torcedor foi feito pra sofrer mesmo, devo ter pensado. Contra todas as previsões, os anos seguintes foram somente de alegrias para os palestrinos. De lá para cá, vi tantos títulos, torci por tantos ídolos, que não me arrependo nenhum dia pela escolha. Já no ano seguinte o Palmeiras venceu o título paulista (em cima do Corinthians, após o Viola imitar o porco, até então não visto como mascote pelos torcedores do verde) e o brasileiro. Em 94 mais dois títulos, os mesmos paulista e brasileiro, novamente em cima dos corinthianos.
Foram muitas alegrias e algumas tristezas. Edmundo brigando com os são-paulinos teve lá a sua graça. Perder uma Copa do Brasil para o Cruzeiro,
São muitas e muitas histórias, mas não caberiam aqui nesse texto. Uns times inesquecíveis: o dos títulos Paulista de 1993 e 1996; da Libertadores de 1999. Vários grandes ídolos: Djalminha (talvez o melhor que já vi com a camisa do verdão), Alex, Rivaldo, Valdívia, Marcão, Arce, Roberto Carlos, César Sampaio, entre tantos outros.
Para evitar delongas, melhor sintetizar tudo isso em apenas uma frase, entoada pelos locutores esportivos de 2000: “São Marcos defende o penalty de Marcelinho Carioca!!! O Corinthians está eliminado da Libertadores!!!”.
3 comentários:
Como fui eleito pelos idealizadores deste blog (Kelson/Luiz) fã número 1, me sinto na obrigação de opinar sobre duas questões.
1. - Esperamos (falo em nome de todos os inúmeros fãs deste adorável blog) que a ordem dos "posts" seja obedecida.
2. - Gostaríamos (novamente em nome de todos os fãs) que os idealizadores do blog "postassem" textos a respeito do árduo ofício de ser um NERD. Afinal, ainda não há um verdicto acerca da filiação de Luiz a este grupo de pessoas tão peculiares.
Apóio o, não tão breve, comentário do nosso (assíduo) fã número 1. A ordem deve, e isto é uma regra, sim ser obedecida.
Leitores, aguardem. Já tenho um texto na agulha.
A coisa começou bem
Achei muito boa a idéia de estar aqui relatando fatos importantes de sua formação cultural.
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