quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sem consenso

Ao longo dos anos somos expostos aos olhares alheios, a esmiuçada opinião dos outros sobre nós. Logo em nosso primeiro contato com o mundo social, livres dos olhares paternos, demonstramos nossas características mais latentes que, merecido ou não, nos rendem apelidos geralmente depreciativos, tirados de alguma particularidade física ou moral. Quase sempre é por estes apelidos que somos conhecidos pelo resto da turma: e aí tampinha; ô baiano; fala caveira; vai jogar bola hoje tripa?... e por aí vai. Quem nunca teve um amigo que era chamado de gordinho, magricela, ou um eleito como quatro olhos? Me lembro de todos os personagens de minha infância. Na vizinhança tinha o capitão lixo, por gostar muito de brincar na rua estava sempre sujo e isto foi suficiente para ser comparado ao personagem dos gibis. Na escola tinha o wildsonberne, teve a terminação "berne" incorporada a seu nome depois de aparecer com o rosto inchado por causa do infortúnio contato com o inseto de mesmo nome. Ainda havia o chicão, devido aos seus hábitos mais caipiras. Isso é quase uma lei entre as crianças, talvez por que fica mais fácil e mais divertido identificar os coleguinhas, além de não confundir os garotos com nomes iguais. Mas as denominações não se limitam a termos pejorativos (como diria a Larissa, termos terminados com eiro. Hahaha), há ainda os privilegiados, geralmente os providos de uma beleza evidente ou de uma família mais tradicional ($). Estes são excluídos dos cognomes engraçados e são agraciados com designações bonitinhas, quase sempre terminadas com o sufixo “inha”. Em geral os apelidos casam com os personagens, pois todos são nomeados de acordo com as características mais evidentes, mas nem sempre é assim, alguns apelidos não pegavam exatamente por não corresponder em nada com a realidade e sim por simples zombaria. Embora essa prática seja mais notável na infância ela permanece ao longo de nossas vidas, estamos sempre sendo alvos dos olhares mais maliciosos, a diferença é que não somos mais informados como quando éramos crianças.

Poderia discorrer mais um tanto de linhas a respeito dos apelidos que recebemos ao longo da vida, mas este não é o objetivo deste texto. Pelo menos não de maneira geral. O fato é que a tempos venho sendo forçado a admitir que pertenço a tribo dos NERDS. Não que o “título” seja algo depreciativo (não pra mim), mas simplesmente porque minhas características naturais destoam bastante das dos portadores de nerdismo. Desde já vou adiantando, o termo NERD surgiu na década de 1950, derivado de Northern Electric Research and Development e era atribuído àqueles indivíduos que passavam dias e noites infurnados no laboratório envolvidos em pesquisas. Hoje são descritos de forma estereotipada devido a algumas excentricidades mais notáveis, tais como: intensa atividade intelectual em detrimentos de outras mais populares, pouca interesse por atividades físicas, dificuldade de integração social, necessidade de analisar tudo minuciosamente, e grande fascínio por conhecimento e tecnologia. Portanto, para que se possa enquadrar no grupo é necessário satisfazer uma porção de condições e não apenas uma delas. Ta certo que os NERDS têm mais afinidade por exatas, conhecem e se interessam por ciência de maneira geral, que são analíticos e cheios de fraseologias não muito comuns... Mas daí a generalizar... Então todo cientista é um NERD?

Vamos pontuar minhas características:

· Tenho um interesse imenso por ciências, mas não troco uma festinha com amigos por uma noite em cima dos livros.

· Sou físico por formação, gosto das exatas e de passar um tempo no laboratório, mas sei que essa é uma parte da vida e que, apesar de todo o prazer, é quase um trabalho.

· Sou bem analítico, penso em tudo e tento fazer tudo com embasamentos, mas isso foi sendo agregado a minha personalidade ao longo dos anos de universidade.

· Gosto, demasiadamente, de esportes. Pratico vários e com um pouco de facilidade.

· Não gosto de muitas pessoas, mas gosto de estar com pessoas interessantes, tenho hábitos sociais bem evidentes.

· Definitivamente, não acho muita graça em tecnologia e gosto muito pouco de filmes de ficção científica.

Está claro? Obviamente que coloquei minhas atribuições que vão de encontro às dos nerdistas, mas são todas verdades incontestáveis. Mas vocês devem pensar o quanto é conveniente pra mim escrever o que eu acho em desacordo com a opinião de vários, né? Hã hã... tenho provas. Caminhei (uma coisinha de NERD) pelos trilhos da internet fazendo testes, os mais variados possíveis, para me certificar de que não se trata de obra do orgulho próprio, além de me isentar da possibilidade da dúvida.

Teste da revista VEJA:

Entre 40 e 70 pontos
Você tem algumas características nerds, entre elas um profundo prazer pelo exercício intelectual. Por isso, assuntos em geral pouco apreciados pelas outras pessoas o atraem tanto. Aparência não é uma prioridade, mas você se preocupa em se apresentar de maneira adequada

Teste de um site qualquer:

Pessoa Comum!
Você é um simples e comum humano, não possui nenhuma característica nerd.

The Nerd Test, ver 2.0:

Your Score Summary

Overall, you scored as follows:

26% scored higher (more nerdy),
1% scored the same, and
73% scored lower (less nerdy).

What does this mean? Your nerdiness is:
Mid-Level Nerd. Wow, it takes a lot of hard nerdy practice to reach this level.

Neste ultimo, foi indicado que 73% das pessoas que realizaram o teste são menos nerd que eu, entretanto fui classificado com um nível moderado de nerdismo.

Portanto, se quiserem me chamar de meio-nerd eu aceito.

No mais é só...

Um comentário:

Anônimo disse...

Discordo de que pessoas mais "afortunadas" não sofram ou não se incomodam quando expostas a terem apelidos depreciativos, não há extremos quando se trata de ter uma característica marcante,ou seja pressoas ricas, belos apelidos, pobres, apelidos que ridicularizam. Inevitável é não deixar de ter uma opinião preconceituosa de qualquer quem seja e num primeiro momento. Ele pode se eternalizar ou apenas ser efêmero. No meio acadêmico, sinceramente, não tive muito a aprender, já trazia comigo, um mundo impregnado de impressões, aromas, de pés que pisam pedras, na saída do cinema num domingo que se finda em horário de verão, as ruas vazias, a noite vazia de sons humanos, porque dormem e horror ao despertar numa segunda-feira feita de outra vida.

eu escrevo e te conto o que eu vi e me mostro de lá pra você