- Na Band, emissora que eu considero tradicionalista e conservadora, surgiu o programa mais comentado desse início de ano: CQC (Custe o Que Custar).
- Por essa nem a Band esperava, pois tinha como grande aposta o programa de games da Daniela Cicarelli. Dupla burrice da emissora: Cicarelli nunca foi uma grande apresentadora, e um programa de games não é novidade desde a década de 1960.
- Liderado pelo manjado, e ótimo multimídia, Marcelo Tas, o CQC tem dado o que falar, e positivamente.
- Ao assistir todos os programas, uma pergunta me vêm a mente: Como, numa televisão aberta recheada de porcarias e de profissionais ruins, não encontraram antes esse pessoal? Se eu fosse diretor de alguma emissora ficaria com vergonha. Inclusive da Band, que demorou muito para contratá-los.
- Os caras são muito bons. Mesmo. A exceção de Felipe Andriolli, os outros vieram do teatro, do tipo de humor bem urbano que começou a fazer sucesso no país, o stand up comedy.
- Ao contrário dos outros humoristas, eles não vieram das camadas mais populares, não são pobres e mal-nutritos, como Tiririca, Tom Cavalcante, Chaolin, entre outros.
- Se quisessem, poderiam ser o que quiser: médicos, engenheiros, advogados...
- A escolha pelo humor não veio da falta de opção.
- Nas quatro semanas de CQC, já se envolveram em algumas polêmicas. Foram proibidos de entrar no Congresso Nacional, o repórter Oscar Filho levou uma "revistada" do diretor de cinema Héctor Babenco, dentre outras pequenas rusgas com os famosos e autoridades.
- Em compesação, ganharam simpatia da maioria, pricipalmente em função do Marcelo Tas, conhecido e respeitado no meio. Outro motivo da boa recepção é o próprio tratamento dos repórteres, que não tem a necessidade de deixar os entrevistados em situação constrangedora a todo tempo, como acontece com Silvio e Vesgo, do Pânico. As intervenções são menos ofensivas e mais sarcásticas.
- Humilhar não é a intenção do CQC. Se as perguntas geram algum constrangimento, isso resulta muito mais das circustâncias do que dá necessidade de tal postura. O forte do programa, e o seu desejo, expresso pelos apresentadores, é questionar, fazer as perguntas que ninguém tem coragem de fazer.
- É de espantar a velocidade de raciocínio dos integrantes. Fazer as piadas instantaneamente exige perspicácia acima do comum. Em segundos eles bolam um comentário engraçado, dependendo da resposta ou acontecimento abordado.
- No Brasil - cada vez mais urbanizado e integrado com as tendências mundias-, o tipo de humor de "esquete", previamente planejado com piadas antigas e personagens tradicionais, tende a ficar limitado a setores muito populares.
- Esse novo humor, para um público mais integrado com o mundo pop, teve início com o "Casseta e Planeta", passou pelo "Pânico", e agora culmina no "CQC".
- Resta saber quanto tempo durará esse novo "fenômeno", que depende necessáriamente do ineditismo e do frescor da novidade.
- Vida longa ao CQC. Parabéns a todos os integrantes: Marcelo Tas, Marco Luque, Rafinha Bastos, Oscar Filho, Danilo Gentili, Felipe Andreolli e Rafael Cortez.
terça-feira, 22 de abril de 2008
A novidade da Band
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Um comentário:
Mau humor, este é a principal característica dos bem humorado componentes do programa. É isto, humor bem feito é humor satírico. Os humoristas felizes são apenas engraçadinhos, enfadonhos. O mundo não é engraçadinho, as pessoas não são engraçadinhas, a vida não é engraçadinha... talvez as piadinhas dos engraçadinhos não durem tanto. Acho que o CQC funciona porque nada é previsível, fazem piadas do cotidiano, e, o cotidiano está em constante mudança. Diferente do joãozinho, da loira burra ou do português.
Bom texto. Melhor, ótimo texto.
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