- Considero “A Rainha” quase um documentário, algo meio jornalístico. Aliás, pra quem se interessa pelos assuntos da mídia, esse é um ótimo filme.
- Quando terminei de assistir, fiz uma relação com o documentário “Entreatos”, de João Moreira Salles, a respeito da campanha de Lula em 2002 para a presidência. Nos dois filmes parecemos estar “participando” dos assuntos abordados, vendo como são tomadas as grandes decisões que irão influenciar uma multidão.
- Vemos nesse filme os chamados bastidores da notícia. Como estamos acostumados a somente ver as decisões já tomadas e anunciadas, o fato pronto, gostamos de ver o processo de construção desses fatos, as discussões, opiniões contrárias.
- Uma surpresa para mim e talvez para a maioria das pessoas: a Rainha é muito respeitada, e seus conselhos e pedidos valem muito, sobretudo quanto ao destino da nação britânica. Nós aqui do longínquo Brasil temos a impressão que a monarca só serve pra enfeitar (e não pagar impostos), que a figura determinante é o primeiro-ministro, que ele está acima da monarquia. Um exemplo disso: quando queremos dizer que alguém só manda aparentemente, dizemos que ele se parece com a rainha da Inglaterra.
- Vemos o contrário no filme. Nele, o primeiro-ministro, recém empossado, Tony Blair, tem claramente uma posição de subordinação para com a Rainha. Aliás, a sua posse, para ser legitimada, teve que ter a benção da rainha, com “direito” a ficar de joelhos perante ela. Quando Blair ligava para o palácio, era ele que tinha que ficar esperando a boa vontade de Elizabeth. E ela, atendendo-o, tinha por hábito mostrar a sua posição de superioridade, por vezes até desligando o telefone na cara do primeiro-ministro.
- Tony Blair, além de parecer se sujeitar a Elizabeth, tem os seus afazeres como chefe de governo mostrados como o de qualquer serviço de qualquer pessoa. As formalidades que cercam a monarquia inglesa passam longe do escritório e da casa do primeiro-ministro.
- A casa de Blair, então, nada mais prosaica: enquanto toma as decisões mais importantes a respeito do funeral de Diana, está vestido em um calção e uma camiseta, em frente aos filhos e a mulher, que tomam café da manhã como qualquer família de classe-média em qualquer canto do mundo.
- Por fim, só tenho a acrescentar que o filme é uma grata surpresa. Nele temos muitas surpresas e revelações. Mesmo se tratando de um cenário puramente inglês, “A Rainha” serve também para entendermos um pouco mais sobre o poder dos governantes, em qualquer parte do mundo.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
8 notas sobre "A Rainha"
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