quarta-feira, 12 de setembro de 2007

8 notas sobre "A Rainha"

  1. Considero “A Rainha” quase um documentário, algo meio jornalístico. Aliás, pra quem se interessa pelos assuntos da mídia, esse é um ótimo filme.
  2. Quando terminei de assistir, fiz uma relação com o documentário “Entreatos”, de João Moreira Salles, a respeito da campanha de Lula em 2002 para a presidência. Nos dois filmes parecemos estar “participando” dos assuntos abordados, vendo como são tomadas as grandes decisões que irão influenciar uma multidão.
  3. Vemos nesse filme os chamados bastidores da notícia. Como estamos acostumados a somente ver as decisões já tomadas e anunciadas, o fato pronto, gostamos de ver o processo de construção desses fatos, as discussões, opiniões contrárias.
  4. Uma surpresa para mim e talvez para a maioria das pessoas: a Rainha é muito respeitada, e seus conselhos e pedidos valem muito, sobretudo quanto ao destino da nação britânica. Nós aqui do longínquo Brasil temos a impressão que a monarca só serve pra enfeitar (e não pagar impostos), que a figura determinante é o primeiro-ministro, que ele está acima da monarquia. Um exemplo disso: quando queremos dizer que alguém só manda aparentemente, dizemos que ele se parece com a rainha da Inglaterra.
  5. Vemos o contrário no filme. Nele, o primeiro-ministro, recém empossado, Tony Blair, tem claramente uma posição de subordinação para com a Rainha. Aliás, a sua posse, para ser legitimada, teve que ter a benção da rainha, com “direito” a ficar de joelhos perante ela. Quando Blair ligava para o palácio, era ele que tinha que ficar esperando a boa vontade de Elizabeth. E ela, atendendo-o, tinha por hábito mostrar a sua posição de superioridade, por vezes até desligando o telefone na cara do primeiro-ministro.
  6. Tony Blair, além de parecer se sujeitar a Elizabeth, tem os seus afazeres como chefe de governo mostrados como o de qualquer serviço de qualquer pessoa. As formalidades que cercam a monarquia inglesa passam longe do escritório e da casa do primeiro-ministro.
  7. A casa de Blair, então, nada mais prosaica: enquanto toma as decisões mais importantes a respeito do funeral de Diana, está vestido em um calção e uma camiseta, em frente aos filhos e a mulher, que tomam café da manhã como qualquer família de classe-média em qualquer canto do mundo.
  8. Por fim, só tenho a acrescentar que o filme é uma grata surpresa. Nele temos muitas surpresas e revelações. Mesmo se tratando de um cenário puramente inglês, “A Rainha” serve também para entendermos um pouco mais sobre o poder dos governantes, em qualquer parte do mundo.

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